quinta-feira, dezembro 08, 2011

Eu sempre que fico triste, sinto uma vontade de que o mundo acabe. Näo que eu morra, mas sim que o mundo acabe. Talvez seja uma questão de egoísmo, ou talvez, mas provavelmente seja simplesmente que eu não tenho o desejo de que exista um mundo, uma possibilidade, um caminho diferente.

Não... Eu quero uma justificativa, um bom motivo pra sentir que o desespero é de fato absoluto. De que não há mais alternativas, de que não há mais para onde ir, nem o que fazer. De que tudo acabou ali. Isso seria aceitável, enquanto que sobre o morrer, deixa claro sempre o tamanho da perda de possibilidades.

Acho que é por isso que o suicídio é tão inaceitável. Eu, por minha vez, prefiro pensar no fim do mundo. De se ser abocanhado pela boca faminta de um cataclisma que não satisfá-se-á com uma nem com mil vidas, mas sim com todas. Com o fim, puro, simples, absoluto, inexorável, inegável, inqüestionável, irremediável. Sem mais saídas.

Talvez eu de fato seja egoísta...

Hoje, uma pessoa por quem eu fui um dia apaixonado, me disse que depois da segunda ligação, sua paciência acaba. Eu não pude deixar de pensar nas implicações lógicas disso, ainda mais levando em conta a questão de que essa pessoa teoricamente ainda me amaria. Tudo mentira. O amor termina depois da segunda ligação...

Também me foi dito que eu sabia que a pessoa estava de mal-humor, e que eu pedi pra ser machucado, praticamente. Vai ver é verdade...

Eu não consigo deixar de pensar no que li nesses dias, sobre o sexo limitante... Quem é o dono do limite? Quem é que quer mais? Por quanto dá pra vender?

Hoje eu só queria morrer. Felizente, a sociedade moderna disponibiliza de forma nada parcimoniosa vários implementos do não-estar-aqui. Vou me aproveitar de alguns deles, e esperar que minha caminhada pela Oblivia seja graciosa, e que não traga de volta a dor dos excessos ao organismo.

Arcueid Brunestud, 3:34 PM


terça-feira, dezembro 06, 2011

          A falta de perspectiva da minha vida parece estar cada vez mais óbvia e dolorosa, a ponto de que mal consigo sentir algum prazer, apenas alívios momentâneos advindos de algumas atividades.
          Sem amigos, sem perspectivas de contatos sociais, sem qualquer possível participação naquele luminoso mundo de contato, onde se quebra aquela distância infinita entre dois pedaços de pele e os muros de carne que se entrepõe entre a realidade humana e a essência da consciência, seja lá o quê for... Confinamento solitário permanente?
          Há sempre a possibilidade, crua, nua e real, de que, mediante um ato de violência, seja possível se quebrar com as barras de paradigmas, com os espaços pessoais... As tristezas secretas dos pavões, o peso seviciante de suas caldas lhes doem às costas, mas lhes valhem atenções mil... Enquanto no meu caso, por mais que a remoção do espetáculo não necessariamente implique em fraqueza, não, não afeto qualidades que não tenho, até por não demonstrar nem as que possuo. Fico preso, o corpo uma âncora desconcertante, que mais denota a ausência do que a presença.
          Pensando nesses termos, não é de se espantar que sejam difíceis os relacionamentos comigo. A estrutura básica dos contatos humanos padrões revolvem em torno da noção de existência, de demonstração, de impressão; de existir pelo barulho. O que não ecoa e retumba, então, passa a ser algo que não existe? Aparentemente; assim como algo desconcertante, um estranho vazio existencial, uma lacuna ambulante, um vácuo tangível... Um conceito que se recusa a entrar em categorias pré-estabelecidas necessariamente desafia toda a edificação do conhecimento, e nesse ponto, perturba.
          Como posso então encarar minha existência em outros termos, se não as do desconcerto e incômodo, para outros? Nesse ponto, há a questão da identificação, talvez... A de que pessoas semelhantes talvez entendam.
          Alguém me aponte à terra onde meus anseios nasceram, então, por favor. Essa obviamente é incapaz de me receber e de atender às minhas necessidades...

Arcueid Brunestud, 10:11 PM



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