terça-feira, dezembro 06, 2011

          A falta de perspectiva da minha vida parece estar cada vez mais óbvia e dolorosa, a ponto de que mal consigo sentir algum prazer, apenas alívios momentâneos advindos de algumas atividades.
          Sem amigos, sem perspectivas de contatos sociais, sem qualquer possível participação naquele luminoso mundo de contato, onde se quebra aquela distância infinita entre dois pedaços de pele e os muros de carne que se entrepõe entre a realidade humana e a essência da consciência, seja lá o quê for... Confinamento solitário permanente?
          Há sempre a possibilidade, crua, nua e real, de que, mediante um ato de violência, seja possível se quebrar com as barras de paradigmas, com os espaços pessoais... As tristezas secretas dos pavões, o peso seviciante de suas caldas lhes doem às costas, mas lhes valhem atenções mil... Enquanto no meu caso, por mais que a remoção do espetáculo não necessariamente implique em fraqueza, não, não afeto qualidades que não tenho, até por não demonstrar nem as que possuo. Fico preso, o corpo uma âncora desconcertante, que mais denota a ausência do que a presença.
          Pensando nesses termos, não é de se espantar que sejam difíceis os relacionamentos comigo. A estrutura básica dos contatos humanos padrões revolvem em torno da noção de existência, de demonstração, de impressão; de existir pelo barulho. O que não ecoa e retumba, então, passa a ser algo que não existe? Aparentemente; assim como algo desconcertante, um estranho vazio existencial, uma lacuna ambulante, um vácuo tangível... Um conceito que se recusa a entrar em categorias pré-estabelecidas necessariamente desafia toda a edificação do conhecimento, e nesse ponto, perturba.
          Como posso então encarar minha existência em outros termos, se não as do desconcerto e incômodo, para outros? Nesse ponto, há a questão da identificação, talvez... A de que pessoas semelhantes talvez entendam.
          Alguém me aponte à terra onde meus anseios nasceram, então, por favor. Essa obviamente é incapaz de me receber e de atender às minhas necessidades...

Arcueid Brunestud, 10:11 PM



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