sexta-feira, janeiro 19, 2007

      Cante para mim Mary Jane com suas ações, e meu coração há de entoar em contraponto uma melodia afluente e caudalosa, e você finalmente há de se ver envolto por minha essência, a se derramar por cada poro e frustração e dor...
      Queria encontrar ao chão, ao piso frio, me tornar uno com aquela estrutura em desespero e frieza, não a frieza do coração, mas o frio... Não o frio que existe na pedra, mas o frio que existe na pele, em cada vinco dela, o frio que é ser frio por inteiro, como se não mais houvesse ente mas meramente fenômeno, e um fenômeno consciente de quão profundamente veio a tornar a ser...
      Sou como o frio das noites tristes de verão... Que sabe muito bem quem é. E justamente por isso, não se move nem protesta... Simplesmente se deixa passar perdido pela própria pele como alguém que não tem a si mesmo, como se o existir não fosse ter mas meramente a passividade de se sofrer independente de protestos, como alguém que já se perdeu na impossibilidade de deixar de ser o que é e placidamente sofre a sua condição e substância, não em êxtase mas sim em estase, como que entretido e apavorado quando olhando para o mundo e sua infinitude, e como que oprimido, na infinda capacidade de se realizar em essência...

Brasília, 09/01/2006, 05:15Pm

Arcueid Brunestud, 1:39 AM



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