sábado, julho 24, 2004
As vezes os primeiros passos são os mais traumáticos, e nem sabe por que se vai ao certo... Segui, frente ao rumo antigo de incontáveis pés, no caminho de tudo que é novo e realizável. Antigas ruínas, velhos lares, lareiras consumidas pelo desleixo de quem não sabe atear apenas o fogo para se aquecer, e perde o controle frente a natureza tórrida e beliregante de um ser criado para atacar ao primeiro sinal de perigo ou desatenção. Somos assim, todos nós, acredito...
Enfim, os pés flauteiam e flanam levípedes, quase que embalados por algum caldo eólido de melodias inaldíveis que os enlaça e os enfeitiça, levando-os a desajeitados e soltos a se dirigir, tropeçando um no outro, para frente, carregados por algum desejo desconhecido para terra longínqua e distante... Não interessa se tem ou não algo perto, o que se interessa é distância e isolação... A maior segurança que se tem dos algozes e verdugos de outrora é a distância e a as milhas desertas... A maior esperança que se tem é o desconhecido.
O problema, sabe já o andarilho, é que o passado nunca acaba, se funde ao presente mesmo que em eco, e as vezes um eco pode ser mais forte que qualquer brado veemente... E não adianta fugir se a tempestade está em você.
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Tá expresso, mas tá errado... Mas ainda não dá pra denunciar minhas intenções quanto ao assunto. Eu vou resolver, relaxa. De qualquer forma... Fica a corruptela do assunto real, até por que eu tô sem paciência pra arrumar isso pela 3a vez... Já escrevi tantas outras. Pra curiosidade literária e pleno afago aos olhos alheios, fica ai então, hehehe. Divirtam-se.
Arcueid Brunestud, 6:23 PM
sexta-feira, julho 23, 2004
Abraços. Mas não eram substâncias, eram suas negações. Assistia, sob a ótica da realidade-base que sua pele fosse-lhe arrancada, mas nem sequer havia-lhe pele ou carne, haviam apenas os apêndices umbráteis e orgãos ilusórios que lhe adornavam o corpo e lhe serviam de cobertor nas horas de se acalentar. O universo é uma idéia, então uma idéia é apenas tudo que se tem... Tudo. O universo não existiu, nem nunca existirá. Assim como aquilo que lhe compunha e tudo que era nunca existirá também...
Então a infra-estrutura nua se expunha ao vento árido daquele deserto a sua frente, em meio aos grãos de areia e das lascas de vidro... Perfurar-lhe-iam a carne, se ela realmente existisse... Em momentos, pensou em ter então nova pele, formada por todos os estilhaços das outras vidas que corriam no vento... Não. Abandonou esta também, era apenas uma outra mentira... O negativo existe, mas o oonceito não deveria mais vestir aqueles que o sentem como tal...
Olhou-se. Ossos, tendões, veias e artérias... Olhos... Conceitos. Fechou os olhos. Por fim, no ritmo de tudo que é lúgubre, se entregou aos caprichos de uma mente fugitiva, e fugiu rumo ao castelo de quimeras que é o outro lado da consciência. Acordou... O mundo não era mais deserto, mas sim cama e cobertor. Olhou-se... Havia lá uma pele, com sulcos e pêlos, verdadeira, e resistente a sondagens, mas não aos beliscões exaltados na busca pelo fim do sono. Seria essa então de verdade, ou mera realidade conceito...? Não saberia...
Tentativa de parágrafo curto... hehehe.
Arcueid Brunestud, 4:05 PM
Liberdade? O caralho!!! E a ditadura cultural e moral!?!? Antes de você sair por ai dizendo que é livre e que vive numa democracia, tenha uma boa conversa com o seu superego, o seu mecanismo de repreensão, todos os valores pequenos que te enfiaram, e depois a gente vem conversar de liberdade!!! ¬¬
Assim... Eu acredito que nossa cultura é uma ditadura por si só. Não se tem um dizer sobre a cultura, a cultura e os modos, as crenças e as morais. Elas simplesmente são impostas, e o pior, possivelmente, muitos discordariam se lhes fosse pelo menos dada a chance de pensar LOGICAMENTE sobre seus impulsos implantados. A primeira lavagem cerebral que se tem de engolir é a educação...
Bem, sincermante, me irrito com isso.
( Eis minha opinião. )
Arcueid Brunestud, 3:43 AM
quinta-feira, julho 22, 2004
Hoje foi demais. A bolsa quebrou, e de si eu fui derramado, escorri em lento e lânguido fluxo, cheio de uma saudade que jamais houve. Ah, é sempre assim, de algo que se houve um dia, eu então fiz questão de lhe atirar pra longe, fora de órbita, onde eu soubesse que a vida não houvesse. A única certeza que eu precisava era a de que não havia esperança, liberdade em si. Tudo que se nega liberta de sua premissa. Tudo que diz não sempre se livra da pergunta ao custo da dor...
Hoje a bolsa quebrou. Quinta-feira, ironicamente, crack da bolsa de Nova York. Não sou um magnata adornando os céus da cidade, um daqueles pontinhos que tanto se ouvia falar que eram comuns de se ver descendo a orbe mortal, longe da esfera dos pobres, o chão de lama e lixo. Meu céu era crença e sofisma, minha terra é a cama, minha queda é a falta. Dispa-se, meu filho... Deixa escorrer cada uma dessas misérias. Recomeça, a trama se repara desde que sob o lugar certo. Falhas antigas prometem um recomeço.
Sem preço. Era sempre assim, eu aprendi a ser o que eu queria que fossem. Não falo do Mastercard. Entendo hoje toda a lógica da troca das facas e afagos, ou me engano em tal. O protoloco diplomático devera se reerguer, mas descobri que não quero meu estande na praça do mercano previamente citado. A física de Newton se avergonha diante a sociedade... A natureza nunca abominou o vácuo, ela sempre o adorou, pelo menos em tempos modernos. Ergo-te, ó sim negação de tudo que é positivo, e te levanto como escudo e como brasão, orgulho sob meu peito de falhas tectônicas. Esfria, morre, é assim que se vive... Morrendo. Não, não quero tomar parte nesse açougue, gosto de mim mesmo.. Mesmo sabendo que o eu é mentira. É hora de dar início a outro lado da vida, o mundo já foi mais cruel com outras pessoas e há de o ser novamente, então hei de sobreviver a ti, até por que quero. Isso me basta. Alguma esperança.
No horizonte que leva a Itiquira, grita uma esperança. Recomeço. Tá na hora de jogar fora o pouco que se tem e ir na busca de algo novo. Talvez amanhã seja despedida. Sei lá.
Bem, fica assim... Eu pedi por isso, pelo menos quando cuspi em suas penas. Desculpa, também é culpa minha. Já era, mesmo assim... Hoje em dia eu fiz por onde. Demais...
Não sei se escrevo mais hoje...
"Cante para mim, qualquer coisa assim sobre você...!
Que explique a mim a paz...
...tristeza nunca mais..."
Arcueid Brunestud, 11:22 PM
Bem, um pouco da estupidez ficou apenas em si mesma. Parou e morreu, morta por algo tão singelo que justificava inclusive toda sua auto-depreciação. Não sei se estou certo ou errado, mas tudo ainda aponta ao orfanato. Tá, no fundo eu continuo a contemplar minha estupidez, testando se a constante da gravidade é válida ou se realmente as coisas tendem a se acelerar quando sob tais auspícios...Mas tenho esperanças.
Essa realidade é minha, gostaria de ser o rei dela. Eu lembro daquela cena escrota do "A Cela" , uma que assusta a beça, do cara com a capa gigante, e vestido de Rei... Putridamente linda. Putz, é engraçado tu olhar aquilo... Uma pessoa que já começou a adotar toda sua demência e podridão como belezas, virtudes e força. Bem, é um fenômeno... mas ainda assim, não me agrada muito a idéia. Tenho que ver aquele filme de novo, a história nem tá tão boa, mas o grosso daquele filme é ficar analisando as cenas das imagens das consciências das pessoas... Ali é que tá a simbologia legal, ao meu ver.
A realidade nunca é de ninguém. O ser humano que não se afeta não precisa da sociedade, suponho... Essa realidade não é só minha... Será que dá pra mudar isso?
- Trecho selecionado, retirado de uma nota vinda da "Terra do Crepúsculo".
Arcueid Brunestud, 5:28 AM
São 04:58 da manhã, e toca uma música do Nando Reis, eco remanescente de uma conversa com uma pessoa querida...
Penso hoje nas lições de economia, sim, alegava ausência, mas estava lá. Só não queria estar.
O escambo é coordenado por regras de mercado, e se aqui a mercadoria é a íntima, acho que sem dúvida observamos a inflação. Lógica de mercado, estamos todos jogando nossas almas nesse mercado de pulgas maldito, não precisava ser assim, mas é. Leva minha alma, moço bonito ou moça garbosa, talvez minha lamúria lhe seja um canto belo durante a noite, minhas lágrimas lhe sejam tempero da vida, e meu colo lhe sirva de trono, ó sim, senhor agora de um coração. Ofereço-lhe o peso de minha cabeça sobre teu colo, e a salmoura de um oceano que flui por esta fenda na crosta de mármore e granito rochoso, selvagem, indomado e estático. Jóias são jóias, e o que torna o mundo bonito é a raridade. É tudo em função da frequência. Nada instante tem valor. Tem sido assim... Nada de valor. Deveriamos todos andar com etiquetas de preço no pescoço, quem sabe até mesmo códigos de barras nos braços... Patricinhas carentes de atenção!? Meu Deus, é uma liquidação da Bloomingdale's!!!!!
Toca uma recorrência na minha trilha sonora, toca Casa Pré-fabricada. Infelizmente, eu não sou o dono da glória ou do escárnio... Pelo menos não pra única pessoa pra quem nego a primeira. A gente aprende o protocolo nojento, e logo aprende a ver interesses e futuras aquisições. Me sinto meio nojento, mas tenho afundado nesse mar de lama social. Tenho de pensar sobre.
Todo dia flerto com a possibilidade da estrada, o único impecílio é a falta de embasamento monetário. Comércio como sempre.
"Canta para mim qualquer coisa assim sobre você...!
que explique a minha paz...
...Tristeza nunca mais... "
No infinito, se ergue de éter uma mentira. Em algum lugar, reza o sacerdote pelo amanhã vindouro das profecias. E espera o homem pelo templo falácia de sua imaginação...
Arcueid Brunestud, 4:59 AM
quarta-feira, julho 21, 2004
Os estilhaços da caixa toráxica brincavam com a pele que fumegava, a marreta sorria. Em meio a talhos e cortes, caia mais uma lasca lacerante, abrindo caminho entre sulcos e depressões, rumando na pele e fazendo do corpo um mapa da tolice que lhe era inerente. Celebrava, celebrava cada uma de suas provas falhas e de suas metas inacabada, sem a chance de seguir adiante. As vistas cansadas haviam a muito pregado seu fim, e agora lhe era óbvio cada ponto de sua cegueira. Como a moça da música, algo em si dizia... Acordo. Tinha medo da verdade que lhe viesse, e assim é que a vida funciona. Tolice. Sempre a boa e velha tolice.
Lhe era intragável a sensação de olhar as cartas o xingando... Cada parte do seu grito corria para um dos lados, como se se esvanecesse para não dar a possibilidade de que fossem olhadas em conjunto, em partes não seria. Nunca era... Todos os conjuntos ideais escorriam pelo quadro negro como ácido.
E o tolo continuava a se olhar, buscando a profundidade de sua real estupidez. Não achou-a. Apenas notou quão fundo poderia estar indo nela.
O peito ainda lhe fumegava. Não doia, apenas sentia-o queimando numa reação incompleta. Era sempre assim.
Tsc tsc tsc...
Arcueid Brunestud, 12:57 PM
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