quarta-feira, setembro 01, 2004

     É o cheiro do amor que cada alma, ao menor dos lampejos, anseia... É a sua visão me abençoando enquanto corre vinda da janela... Um abraço de doce, as cobertas dos dias vindouros nunca foram tão amistosas... Eu via o nascer do sol não naquele céu abjeto, mas sim nos teus olhos calorosos, onde eu por horas seguia passeando e me perdendo, acolhido... Suas pálpebras cantando, no ritmo das respirações e do coração, cada batida uma resposta, cada beijo um novo amor... Teu peito contra o meu, as fronteiras do olhar tão mínimas para comportar cada jura... As mãos dadas, o dia pequeno... Do dourado logo se fazia o pavimento de estrelas, onde as almas ébrias dançam suas valsas no compasso do pulso perdido, sem pressa e sem tempo, as suntosas vistas do simples amar. Em algum lugar, o mundo não mais caia, a gravidade se recolhia frente a algo muito maior do que essa jamais fora em toda sua plenidade, o mundo se reerguia, na facilidade do absurdo. Os dias eram brisa, e nós viviamos sem pressa, um pelo outro, no mundo que se criava na encruzilhada de nossas vistas... Doce, doce.. Todo o cosmos alvorecia dentro do ser, numa explosão que diminuia até mesmo o começo de nosso universo... O tempo nos deu passagem para que singrassemos a eternidade... E em algum lugar distante, dois desconhecidos felizes se perdiam em si mesmos enquanto amanhecia, vendo fogos de artifício de beleza impossível nos olhos um do outro... A manhã nunca fora tão bela e perfeita, e em teus braços, tão além das palavras, eu sabia... A felicidade talvez não fosse uma mentira...

     - Eu te amo...
     - Eu também...

Brasília, 01/09/2004

Arcueid Brunestud, 2:59 PM



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