sexta-feira, agosto 13, 2004

     Teu sorriso é forma de cárcere; a boca manchada de malefícios. Traiçoeira, avassaladora é a alforria do teu olhar. Tuas costas arranham meu dorso desnudado, em teus seios só provei um leite maculado, de medo e de dor. Nunca é fácil teu beijo, paladar, audição e tato, meu rosto queimando sem pele no teu sal, secretado. E eu, que de estigmas já sou coberto, de novo agredi-me ao aceitar teu banho de pétalas, essa essência volátil do teu não-estar. Troquei então tuas certezas pelo litro barato de vodka. Pago em sangue cada um dos meus pecados, mas gosto mesmo é dos cultos pagãos à liberdade, longe dos cirurgiões plásticos, perfeito, sim, plásticos, longe dos plásticos e dos embalados a vácuo. Não quero teu afago ardiloso, tuas papilas ásperas em minha tez frágil. Melhor saltar de tua galé, teus princípios afundam junto com essas correntes. Me alicio do sorriso sincero, sim, sincero, como nenhum canto dessa vida oferecida poderia ser. Queria sim que os nobres tirassem a roupa, para provar da sua carne cheia de hanseníase, e quem sabe se afogar no sujo sangue azul anelina afetada.

Brasília, 13/08/2004, 09:35Pm

Arcueid Brunestud, 7:32 PM



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