quinta-feira, julho 22, 2004

     Hoje foi demais. A bolsa quebrou, e de si eu fui derramado, escorri em lento e lânguido fluxo, cheio de uma saudade que jamais houve. Ah, é sempre assim, de algo que se houve um dia, eu então fiz questão de lhe atirar pra longe, fora de órbita, onde eu soubesse que a vida não houvesse. A única certeza que eu precisava era a de que não havia esperança, liberdade em si. Tudo que se nega liberta de sua premissa. Tudo que diz não sempre se livra da pergunta ao custo da dor...
     Hoje a bolsa quebrou. Quinta-feira, ironicamente, crack da bolsa de Nova York. Não sou um magnata adornando os céus da cidade, um daqueles pontinhos que tanto se ouvia falar que eram comuns de se ver descendo a orbe mortal, longe da esfera dos pobres, o chão de lama e lixo. Meu céu era crença e sofisma, minha terra é a cama, minha queda é a falta. Dispa-se, meu filho... Deixa escorrer cada uma dessas misérias. Recomeça, a trama se repara desde que sob o lugar certo. Falhas antigas prometem um recomeço.
     Sem preço. Era sempre assim, eu aprendi a ser o que eu queria que fossem. Não falo do Mastercard. Entendo hoje toda a lógica da troca das facas e afagos, ou me engano em tal. O protoloco diplomático devera se reerguer, mas descobri que não quero meu estande na praça do mercano previamente citado. A física de Newton se avergonha diante a sociedade... A natureza nunca abominou o vácuo, ela sempre o adorou, pelo menos em tempos modernos. Ergo-te, ó sim negação de tudo que é positivo, e te levanto como escudo e como brasão, orgulho sob meu peito de falhas tectônicas. Esfria, morre, é assim que se vive... Morrendo. Não, não quero tomar parte nesse açougue, gosto de mim mesmo.. Mesmo sabendo que o eu é mentira. É hora de dar início a outro lado da vida, o mundo já foi mais cruel com outras pessoas e há de o ser novamente, então hei de sobreviver a ti, até por que quero. Isso me basta. Alguma esperança.
     No horizonte que leva a Itiquira, grita uma esperança. Recomeço. Tá na hora de jogar fora o pouco que se tem e ir na busca de algo novo. Talvez amanhã seja despedida. Sei lá.
     Bem, fica assim... Eu pedi por isso, pelo menos quando cuspi em suas penas. Desculpa, também é culpa minha. Já era, mesmo assim... Hoje em dia eu fiz por onde. Demais...

     Não sei se escrevo mais hoje...

"Cante para mim, qualquer coisa assim sobre você...!
Que explique a mim a paz...
...tristeza nunca mais..."

Arcueid Brunestud, 11:22 PM



Anteriores