quinta-feira, julho 22, 2004

     São 04:58 da manhã, e toca uma música do Nando Reis, eco remanescente de uma conversa com uma pessoa querida...
     Penso hoje nas lições de economia, sim, alegava ausência, mas estava lá. Só não queria estar.
     O escambo é coordenado por regras de mercado, e se aqui a mercadoria é a íntima, acho que sem dúvida observamos a inflação. Lógica de mercado, estamos todos jogando nossas almas nesse mercado de pulgas maldito, não precisava ser assim, mas é. Leva minha alma, moço bonito ou moça garbosa, talvez minha lamúria lhe seja um canto belo durante a noite, minhas lágrimas lhe sejam tempero da vida, e meu colo lhe sirva de trono, ó sim, senhor agora de um coração. Ofereço-lhe o peso de minha cabeça sobre teu colo, e a salmoura de um oceano que flui por esta fenda na crosta de mármore e granito rochoso, selvagem, indomado e estático. Jóias são jóias, e o que torna o mundo bonito é a raridade. É tudo em função da frequência. Nada instante tem valor. Tem sido assim... Nada de valor. Deveriamos todos andar com etiquetas de preço no pescoço, quem sabe até mesmo códigos de barras nos braços... Patricinhas carentes de atenção!? Meu Deus, é uma liquidação da Bloomingdale's!!!!!
     Toca uma recorrência na minha trilha sonora, toca Casa Pré-fabricada. Infelizmente, eu não sou o dono da glória ou do escárnio... Pelo menos não pra única pessoa pra quem nego a primeira. A gente aprende o protocolo nojento, e logo aprende a ver interesses e futuras aquisições. Me sinto meio nojento, mas tenho afundado nesse mar de lama social. Tenho de pensar sobre.
     Todo dia flerto com a possibilidade da estrada, o único impecílio é a falta de embasamento monetário. Comércio como sempre.

"Canta para mim qualquer coisa assim sobre você...!
que explique a minha paz...
...Tristeza nunca mais... "

     No infinito, se ergue de éter uma mentira. Em algum lugar, reza o sacerdote pelo amanhã vindouro das profecias. E espera o homem pelo templo falácia de sua imaginação...

Arcueid Brunestud, 4:59 AM



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